terça-feira, 15 de março de 2011

Quadril e Coluna – Juntos Porem Separados

Nós como profissionais de saúde fomos educados para solucionar problemas pontuais melhorando o mais rápido possível o quadro de nossos alunos ou pacientes. Isso nos deu um olhar muito restrito e focado apenas para onde esta a dor ou o incomodo.

A cada dia surge um equipamento ou uma técnica nova que promete atingir exatamente o ponto que queremos atacar.  Com a globalização e a massificação da mídia essas técnicas ganham espaço no mercado de forma devastadora porem com vida curta ou seja, ate surgir outro equipamento e o ciclo começar mais uma vez.

O que mais me impressiona em tudo isso é que ao passarmos por tantas disciplinas na faculdade e lemos diferentes livros sobre diferentes articulações do corpo, ainda assim muitas vezes ficamos cegos quanto ao aspecto da globalidade dos nossos sistemas.

Quando falamos de dor nas costas, especificamente na lombar não é diferente, muito focamos em como aconteceu, no que estava fazendo no momento e etc. De acordo com McGuill a maior parte das lesões nas costas são ocasionadas por eventos cumulativos e não pontuais, muitas vezes causados por desequilíbrios nas estruturas adjacentes.

A analogia da corda é uma forma muito didática de explicar melhor tudo isso. Se eu colocar uma corda em seu pescoço e puxar o que vai provavelmente acontecer? Dor no pescoço e um enorme desconforto no local onde a corda esta aplicando a tensão não é mesmo? Porem se eu diminuir a força que eu estou puxando, me aproximando de você adivinha o que vai acontecer.. A dor e o incomodo com certeza ira diminuir. Então podemos ver que, muitas vezes onde esta a dor não é onde está realmente o problema.

O quadril é uma articulação muito complexa ligada por diversos músculos com força, tamanho e tensão diferente. Para mim, muitos dos problemas  na lombar são provenientes dessa articulação.

A falta de mobilidade no quadril por exemplo pode gerar um aumento de flexões e extensões desnecessárias para a coluna, ate mesmo em uma simples caminhada. Isso reforça a citação de McGuill logo acima.

Porterfield e DeRosa explicam no livro Mechanical of Low Back Pain que o encurtamento das estruturas anteriores do quadril resultam no aumento de forças compressivas nas facetas vertebrais durante a flexão do quadril. O que mostra mais uma vez a importância da dissociação de movimento entre coluna e quadril.

Se todas as vezes que fizermos uma flexão de quadril seja ela durante a passada da corrida ou simplesmente para subir um degrau flexionarmos também a coluna para conseguirmos executar tal movimento, com certeza iremos a cada dia esta desgastando ainda mais a nossas vértebras lombares.

Para tentarmos solucionar tal problema devemos atacar as estruturas que realmente possam esta causando estes desequilíbrios ou excesso de uso por parte uma outra estrutura.

Podemos então começar com a liberação miofascial de abdutores e rotadores externos do quadril com o intuito de modificar a densidade e a tensão do tecido aliado com os conceitos de Tom Myers (Trilhos Anatômicos).

Em seguida partiremos para os alongamentos também dos abdutores do quadril, rotadores externos, internos e psoas. Estes alongamentos devem ser executados com o intuito de modificar o “comprimento” do tecido ou seja, são alongamentos que saem do limite confortável do praticante.

Só então começaríamos o trabalho de ativação muscular este sendo feito de forma ativa e reativa ao movimento como demonstrado logo abaixo:


O que se espera é que com essa seqüência possamos então ajudar a recuperar a ação natural do quadril fazendo com que o mesmo não precise de outra articulação para fazer o que ele deveria ser apto a fazer sozinho.

“O  Músculo certo deve mover a Articulação Certa”  Sahrmann

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